Se perguntarmos a cem pessoas se são bons condutores, a maioria responderá afirmativamente. A perceção não coincide, porém, com aquilo que vemos todos os dias na estrada. Tendemos a sobrestimar as nossas competências e a ignorar os nossos pontos cegos.

Na liderança acontece algo semelhante. Muitos gestores acreditam que definem um rumo claro, influenciam de forma estratégica e garantem o compromisso das equipas. Quando os resultados não aparecem, a explicação costuma estar nos recursos, na cultura ou na hierarquia. Esses fatores são reais. Mas há uma variável frequentemente esquecida: a autoconsciência do próprio líder.

O perigo dos ângulos cegos

Liderar nunca acontece no vazio. O contexto condiciona decisões e comportamentos. Ainda assim, um líder precisa de reconhecer a influência que exerce no sistema e desenvolver uma leitura mais precisa do impacto das suas ações.

A dificuldade é que a mente não foi desenhada para uma autoavaliação inteiramente objetiva. Podemos proteger a nossa posição, segurança e estatuto ao mesmo tempo que dizemos procurar cooperação. Sem confronto com outras perspetivas, o líder corre o risco de construir um egossistema à sua volta.

Uma mentalidade científica

A autoconsciência pode ser desenvolvida quando o líder trata as suas certezas como hipóteses por testar:

Esta atitude desloca o líder do centro do comando para a criação das condições em que outras pessoas podem contribuir, discordar e pensar em conjunto.

A verdadeira liderança não é comandar um egossistema. É ajudar a construir um ecossistema.

Nuno Álvaro Gonçalves

Sócio fundador · Bee Leader