Quantas vezes ouvimos esta frase de uma chefia? A intenção parece positiva: incentivar pensamento crítico, iniciativa e responsabilidade na procura de alternativas.

Mas a frase também pode ser recebida como um sinal de que a liderança não está disponível para explorar causas, ambiguidades ou problemas sem resposta imediata. Quando um problema é complexo e depende de vários fatores, o receio de não ter uma solução pode levar a equipa a deixar de falar sobre ele.

Quando a solução não é simples

Pedro geria um colaborador com excelentes resultados, mas com conflitos frequentes com clientes e colegas. Tentou abordar o comportamento várias vezes; as conversas transformavam-se em confronto e o colaborador responsabilizava sempre os outros.

Sabendo que a chefia não queria ouvir problemas sem soluções, Pedro propôs transferir o colaborador. A proposta foi recusada. Sem outra resposta pronta, começou a evitar o tema e a assegurar nas reuniões que tudo estava controlado.

O problema deixou de ser visível, mas não deixou de existir. A organização passou a ter menos informação precisamente porque exigia demasiada certeza a quem a devia trazer.

De soluções prontas para descobertas guiadas

Quando alguém levanta um problema, é provável que já tenha tentado resolvê-lo. Em vez de exigir uma resposta fechada, a chefia pode começar por perguntar: “O que já tentaste?”

A partir daí, líder e colaborador podem distinguir factos, interpretações, constrangimentos e alternativas. Esta abordagem não resolve todos os problemas rapidamente. Torna, porém, possível falar deles antes de se agravarem.

Talvez o verdadeiro princípio seja: “Traz-me o problema. Vamos compreendê-lo e pensar juntos no próximo passo.”

Nuno Álvaro Gonçalves

Sócio fundador · Bee Leader